Monday, June 21, 2010

O verdadeiro dia dos namorados

by Conor Keller

Ela gostava de ser o seu segredo. Não importava se, às vezes, machucava. Era melhor do que ser só uma amiga.
No final do dia, tinha sempre a sensação de uma sexta-feira infinita. Ele dizia que o seu talento para traições começava nos contornos de sua boca pintada de proibições.
Eles escondiam um par de alianças mal resolvido e pouco amado. Acabavam sendo mútuos em confiscos de prazeres. Não aceitavam doações, nem presentes. Só precisavam dos corpos desenrolados de intimidades para atingir o coração. Um amor instantâneo era a única exigência que cada um explorava do outro. Só uma metade era mentira. Bastava.